O ministro Luiz Fux só deve analisar os questionamentos contra a MP 1.394/2026 depois do segundo turno das eleições, previsto para 25 de outubro — o que mantém a proibição das bets plenamente em vigor e elimina, na prática, a hipótese de uma liminar que destrave a operação ainda neste mês.
A informação foi publicada pelo portal iGaming Brazil em 19 de outubro, reforçando sinalização que já havia aparecido em 15 de outubro, quando a pressão dos clubes contra o veto às bets esbarrou no adiamento da apreciação pelo Supremo. Não há confirmação oficial do STF sobre a data: trata-se de informação de bastidores, sem declaração pública do ministro.
O que já andou no processo
Em 2 de outubro, Fux concedeu prazo de 72 horas para o governo prestar esclarecimentos sobre a proibição. A AGU respondeu em 6 de outubro e defendeu a manutenção da medida — a mesma AGU que, antes da MP, pediu ao STF a declaração de inconstitucionalidade do marco legal das bets. O teor integral dessa manifestação não foi lido pela redação.
A partir daí, o processo parou. Não houve liminar concedida nem negada até o fechamento desta matéria: nada do cronograma de encerramento foi suspenso. A MP foi editada em 25 de setembro de 2026 e disparou o fim dos depósitos, a devolução de saldos e o desligamento das plataformas.
| Data | Fato |
|---|---|
| 25/09/2026 | MP 1.394/2026 é editada e proíbe a operação das bets |
| 02/10/2026 | Fux dá 72 horas para o governo prestar esclarecimentos |
| 06/10/2026 | AGU responde e defende a manutenção da medida |
| 15/10/2026 | Primeira sinalização de adiamento da análise |
| 19/10/2026 | Adiamento reafirmado: análise só após o segundo turno |
| 23/11/2026 | Prazo de vigência da MP no Congresso, com 92 emendas |
O caminho agora é legislativo
Operadores, clubes e associações apostavam em dois caminhos de reversão: o Congresso e o STF. Com o segundo travado até o fim de outubro, resta a tramitação da medida provisória, que reúne 92 emendas e tem prazo final em 23 de novembro. Parte relevante dessas emendas converge para proibir o cassino online e preservar apenas a aposta esportiva — cenário que muda a conta de qualquer plano de retomada.
O precedente judicial recente também não ajuda quem contava com decisão individual: o TRF3 derrubou a liminar da Stake e nenhuma casa seguiu autorizada a operar. Não existe hoje decisão judicial de alcance geral que autorize retomada.
Quem sente o adiamento no caixa
O grupo mais exposto é o de operadores que mantiveram estrutura mínima aguardando liminar. Folha reduzida, contratos suspensos e nenhuma receita: o cenário se estende por pelo menos mais um mês. A ANJL já havia apontado 3.500 demissões no setor após a MP, conforme levantamento divulgado pela associação.
Fornecedores de plataforma, sportsbook, provedores de cassino e PSPs com contratos suspensos — e não rescindidos — continuam acumulando custo de standby sem data de religamento. A decisão entre prorrogar a suspensão e rescindir, discutida em detalhe na análise sobre suspender ou rescindir o sportsbook terceirizado, deixou de ter um gatilho judicial em outubro.
O que fazer nesta semana
- Revisar até 25/10 qualquer plano de contingência que precificou reabertura por liminar em outubro e refazer o fluxo de caixa.
- Redirecionar o esforço de advocacy e de acompanhamento para o trâmite da MP no Congresso, com foco no prazo de 23 de novembro.
- Decidir contrato a contrato entre suspensão prorrogada e rescisão, com cláusula de religamento condicionada a eventual mudança legislativa.
- Manter intactas as obrigações residuais: guarda de registros, reporte de saldo devido à SPA/MF e resposta a ofícios.
Ação judicial não suspende obrigação
A Lei 14.790/2023 e as portarias da SPA/MF seguem como base das obrigações residuais. Processo pendente no STF não suspende dever administrativo — o que continua valendo está consolidado no levantamento sobre as obrigações SPA/MF após o encerramento. O reporte de saldo devido, fixado por portaria da SPA, permanece exigível independentemente do andamento judicial.
No pano de fundo fiscal, as bets geraram R$ 19 bilhões em arrecadação desde 2025, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles em setembro — número que entra no debate do custo da proibição, mas que não integra o processo.
O que ainda não foi confirmado
- O número das ações no STF (classe ADI ou ADPF) e a confirmação de que Fux é relator de todas elas não foram verificados no portal do tribunal.
- Não há comunicado oficial do STF sobre a data da análise; a informação é de bastidores.
- Não se sabe se a apreciação será decisão monocrática ou referendo do Plenário, nem se haverá pauta formal.
- A corroboração do adiamento ficou restrita a duas matérias do mesmo veículo setorial, publicadas em 15 e 19 de outubro.
Para a diretoria, a leitura prática é direta: planejar novembro sem contar com decisão judicial, e tratar o Congresso como o único canal com data definida.
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