A política de Jogos e Apostas do Google Ads passou a exigir, de todos os anunciantes de apostas e em todos os mercados, histórico limpo de conformidade para obter ou manter certificação — regra em vigor desde 14 de setembro de 2026, o que já alcança quem compra mídia paga no Brasil.
Segundo o SBC News, que reproduziu o texto da política, a mudança foi comunicada aos anunciantes em junho e amplia medidas introduzidas em março de 2026, quando o Google começou a exigir comprovação de histórico sólido de conformidade em mercados selecionados. Agora a exigência vale para todas as categorias cobertas pela política.
Starting September 14, 2026, all gambling and games advertisers must demonstrate good policy health.
Política de Jogos e Apostas do Google Ads, conforme reproduzida pelo SBC News
Não é norma pública, é contrato
O ponto que muda a leitura jurídica: não se trata de ato estatal. É política contratual de plataforma privada, autoaplicável e sem trâmite público, consulta ou vacatio legis. Não substitui nem flexibiliza as exigências de publicidade da regulamentação da SPA/MF sob a Lei 14.790/2023 — soma-se a elas.
O efeito chega ao Brasil com o canal pago já sob pressão local. Municípios como Niterói avançaram com restrições próprias — a capital fluminense proibiu publicidade de bets com prazo de dez dias para retirada —, e a consulta pública da SPA sobre limites de publicidade em transmissões esportivas segue em curso, com clubes paulistas mobilizados contra novas restrições.
O risco de contágio dentro da MCC
A parte mais sensível para quem terceiriza mídia está nas contas gerenciadoras. Conforme o trecho da política citado pelo SBC News, MCCs com revogações repetidas de certificado de apostas online perdem a elegibilidade para solicitar novas certificações. O Google também alerta que infrações podem levar à revogação de certificações já existentes em contas vinculadas à MCC infratora.
Manager Accounts (MCCs) with repeated online gambling certificate revocations... will forfeit eligibility to apply for any new online gambling certificates
Política de Jogos e Apostas do Google Ads, citada pelo SBC News
Na prática, uma conta problemática dentro da gerenciadora pode contaminar as demais, inclusive a do operador que apenas contratou uma agência. É um risco compartilhado que não estava precificado nos contratos de mídia — e que se soma à discussão sobre o que muda quando o operador responde pelo parceiro.
Afiliado em subdomínio perde elegibilidade
A certificação passa a exigir que o negócio seja dono do próprio domínio, vedando o uso de subdomínios gratuitos para manter a elegibilidade. Estruturas de tráfego de afiliados montadas sobre subdomínios de terceiros ficam fora — o que afeta diretamente o desenho de payout e a origem do volume, tema que já pesa na escolha entre CPA, RevShare ou modelo híbrido.
| Perfil | O que muda |
|---|---|
| Operador que compra search/PMax direto | Perde elegibilidade à certificação se houver histórico de violações |
| Agência ou parceiro sob MCC | Revogações repetidas bloqueiam novos pedidos; infração pode revogar certificações de contas ligadas |
| Afiliado e estruturas de tráfego | Certificação exige domínio próprio; subdomínio gratuito não sustenta elegibilidade |
O que fazer nesta semana
- Levantar sob qual MCC a conta do operador está vinculada e quantos outros anunciantes de apostas dividem essa gerenciadora.
- Auditar o histórico de reprovações e violações da conta antes do próximo pedido de recertificação.
- Mapear os domínios usados por afiliados e parceiros e migrar landing pages hospedadas em subdomínios gratuitos para domínio próprio.
- Rever contratos com agência e afiliados: responsabilidade por revogação de certificado e obrigação de notificação imediata.
- Tratar a regra como vigente: não há período de transição divulgado.
Em julho, o Yogonet reportou ampliação da publicidade de apostas para 16 mercados combinada com aperto na certificação de anunciantes. A lista desses mercados não foi verificada por esta redação — o dado consta do título e da abertura da matéria, cujo conteúdo integral não pôde ser aberto.
O que ainda não está confirmado
- A página oficial da política no suporte do Google Ads não pôde ser aberta nesta apuração; o texto citado vem da reprodução feita pelo SBC News.
- Não foi possível confirmar se a política exige, especificamente para o Brasil, comprovação de licença SPA/MF como condição de certificação, nem se existe lista local de anunciantes certificados.
- Não há número divulgado de contas ou anunciantes brasileiros afetados.
- Não foi confirmado se há período de tolerância para certificações já emitidas.
- Não houve manifestação do Google Brasil nem de entidade do setor brasileiro até o fechamento; o tema circula apenas em veículos internacionais.
Leitura de orçamento
- Sem certificação não há veiculação em search: o risco é de interrupção de canal, não de multa.
- O contágio via MCC transforma escolha de agência em decisão de compliance.
- A pressão do Google se acumula com restrições municipais e com a consulta da SPA sobre publicidade esportiva, empurrando o mix para outros canais — movimento já visível no reequilíbrio entre performance e marca.
Sua conta está exposta por quem divide a MCC?
Se a sua operação descobriu outros anunciantes de apostas na mesma conta gerenciadora, conte à redação como está tratando o risco de revogação em cadeia. Para receber a análise do que muda para operadores, fale com a redação.