A MP 1.394/2026, que proibiu as bets e extinguiu as autorizações, acumulou 48 emendas de deputados e senadores na comissão mista até 7 de outubro, segundo levantamento do veículo setorial iGaming Brazil — e a medida segue sem relator designado publicamente, o que mantém em aberto o único caminho capaz de alterar o quadro para ex-operadoras, fornecedores e patrocinados.
O salto veio depois de a presidência da Mesa do Congresso Nacional reabrir o prazo de emendamento, que se encerraria em 1º de outubro. A justificativa registrada foi garantir participação plena e igualitária dos parlamentares em período de calendário eleitoral. Entre 2/10, quando havia 26 emendas, e 7/10, o volume quase dobrou.
Parte das propostas, conforme o mesmo levantamento, busca preservar a aposta esportiva de quota fixa e endurecer apenas o regime de publicidade. Não foi possível confirmar nesta apuração o teor individual das emendas nem quantas tratam especificamente de cada tema.
O que a apuração não confirmou
O número de 48 emendas vem de um único veículo setorial. A checagem no portal do Congresso Nacional e no Diário Oficial da União ficou pendente: não foram confirmados em fonte primária o total exato, a nova data-limite do prazo ampliado nem a designação de relator. O status processual da ação no STF em que a AGU defende a proibição — relator, pedido de liminar, pauta — também não foi confirmado hoje.
O que vale juridicamente hoje
- MP 1.394/2026: em vigor, com força de lei, em tramitação na comissão mista.
- Emendas apresentadas: sem efeito algum até aprovação de projeto de lei de conversão e sanção.
- Portaria SPA/MF 3.005/2026: publicada em 2/10 e em vigor, regula reporte de saldos, regularização de obrigações financeiras e atualização cadastral.
- Lei 14.790/2023: base das obrigações residuais não revogadas, e objeto de questionamento da AGU no STF.
Pela regra do art. 62 da Constituição — 60 dias prorrogáveis por mais 60 —, a MP editada em 25/09/2026 perde eficácia se não for convertida em lei. O cálculo é nosso; não houve confirmação, nesta apuração, de ato publicado de prorrogação.
A execução administrativa não parou
Enquanto o Congresso discute o texto, o cronograma administrativo corre. As plataformas saíram do ar em 6/10: das 188 autorizadas até 5/10, apenas uma seguia acessível, com bloqueio solicitado, segundo a Agência Brasil. O reporte de saldos ao Sigap, com posição de 5/10 às 23h59, tinha envio até 7/10.
| Indicador | Valor | Fonte e data |
|---|---|---|
| Emendas protocoladas | 48 (eram 26 em 2/10) | iGaming Brazil, 7/10 |
| Sites ilegais com pedido de bloqueio desde 25/09 | 13.241 (~1.103/dia) | Agência Brasil, 6/10 |
| Perfis e canais em redes | 974 páginas no Facebook, 560 no Instagram, 900 no Telegram, 103 no TikTok, 14 no WhatsApp, 1 no Discord | Agência Brasil, 6/10 |
| Valor a devolver | R$ 1,325 bilhão a cerca de 26,5 milhões de apostadores | Agência Brasil, 6/10 |
| Janela de devolução pelos bancos | 9 a 14/10 | Agência Brasil, 6/10 |
Dinheiro da poupança popular, que passa a ficar com as famílias. Essa é uma mudança importante.
Dario Durigan, ministro da Fazenda, em 6/10
Uma data de 15/12/2026 como marco final do encerramento circulou em veículo setorial, mas não foi localizada no texto da Portaria 3.005/2026 nesta apuração. Não trate como prazo até checagem no DOU.
O que fazer nesta semana
- Conciliar hoje a base de saldos enviada ao Sigap com a repassada às instituições financeiras, para evitar divergência durante a devolução marcada para 9 a 14 de outubro.
- Quem perdeu o reporte de 7/10: regularizar imediatamente e documentar a comunicação à SPA — atraso é exposição direta à sanção prevista na MP.
- Mapear as emendas por tema (aposta esportiva, publicidade, tributação, transição) e identificar quais tocam a operação antes do parecer do relator.
- Não comunicar a clubes, PSPs, afiliados ou fornecedores qualquer expectativa de reversão. Nada mudou juridicamente.
Para jurídico e relações institucionais, a janela de atuação é esta, antes da designação do relator. Para marketing e patrocínio esportivo, contratos de 2027 não devem ser reabertos com base em emenda não votada. E as obrigações da SPA/MF que continuam valendo após o encerramento seguem exigíveis sem exceção, assim como a tese da AGU que pede ao STF a inconstitucionalidade do marco legal permanece no tabuleiro.
O cenário-base para planejamento de 2027 continua sendo a proibição vigente. Qualquer outra leitura depende de um texto de conversão que ainda não existe — e de um relator que ainda não foi anunciado.
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